Com inflação a 8,35%, teto de gastos do governo sobe R$ 124 bi para R$ 1,61 tri

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Reajuste do teto deve subir mais do que as despesas, e isso pode abrir folga de mais de R$ 40 bilhões no Orçamento em 2022
Depois de uma ginástica fiscal para conseguir manter todas as despesas dentro de um teto de gastos especialmente apertado em 2021, o governo terá em 2022, ano de eleições presidenciais, a situação oposta: deve sobrar dinheiro para gastar. E isso deve acontecer com ajuda da inflação alta.

O teto de gastos é a regra criada em 2016 que proíbe que o total de despesas do governo cresça mais do que a inflação. O reajuste para o teto do ano seguinte deve sempre ser feito pela inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – e ela está em um dos maiores patamares dos últimos anos.

agar o Bolsa Família inteiro (que custa pouco mais de R$ 30 bilhões ao ano hoje), duas vezes o abono salarial (R$ 20 bilhões por ano) ou quatro meses de auxílio emergencial.

Investimentos, Bolsa Família e dívida
Turbinar os investimentos em infraestrutura, que vêm minguando nos últimos anos justamente pelo engessamento do teto de gastos, dar reajustes para servidores (muitos deles com salário congelado desde 2016), ou aproveitar a folga para acomodar ampliações que já estão prometidas, caso de uma versão turbinada do Bolsa Família, são alguns dos destinos possíveis para os recursos extras.

Daniel Couri, diretor do IFI, lembra também que a folga pode ser usada para reduzir a dívida pública, que já era uma das mais altas do mundo emergente e ficou ainda maior depois dos gastos vultuosos de socorro à pandemia no ano passado.

“O governo pode não gastar esse dinheiro e, com isso, reduzir o déficit [diferença entre a arrecadação e os gastos], diminuiu o impacto sobre a dívida”, diz. “Mas o elemento chave é que será um ano eleitoral, e historicamente os governos gastam mais.”

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